• Lucas Magrin

Sua empresa não consegue se planejar a longo prazo?

Entenda como construir um planejamento estratégico


Muitos pequenos e médios empreendedores, ou até mesmo grandes, se deparam frequentemente com a sensação de que estão esgotando todo seu tempo de trabalho com a operação e, por isso, não conseguem pensar no seu negócio a longo prazo. Outra impressão comum é a de que sua empresa tem muitas ideias e projetos acontecendo, mas estes não parecem estar alinhados com um objetivo, aparentando que a empresa está atirando para muitos lados, mas sem assertividade.


A solução para muitos casos como esses está em uma prática já famosa entre empreendedores, o planejamento estratégico. Este é uma ferramenta de gestão que busca esclarecer os objetivos da empresa, principalmente a médio e longo prazo, e traçar meios para o atingimento destes.


(Foto: Pixabay | Reprodução)


Você se identificou com algum dos cenários citados no começo do texto? Tem curiosidade e quer aprender sobre essa poderosa ferramenta de gestão? Lê esse texto até o final pois vai aprender sobre como botar em prática um planejamento estratégico na sua empresa.


Antes de iniciar a construção do planejamento estratégico, é importante que a empresa tenha uma identidade organizacional bem definida. Assim, para que o planejamento consiga trazer engajamento e motivação aos colaboradores, é importante estar alinhado com os três pilares principais desta identidade:


Missão: representa o propósito de ser da empresa;

Visão: melhor estado futuro que a empresa quer atingir;

Valores: princípios que guiam o dia a dia para cumprir com a missão e alcançar a visão.


Definidos tais fatores, podemos iniciar a construção do planejamento estratégico. Primeiramente, precisamos saber qual será o horizonte do planejamento. Vou construir um planejamento para um ano, dois anos, cinco anos? Isto varia bastante entre as empresas e depende de fatores como a idade do negócio, a quantidade de dados disponíveis e até mesmo o cenário do mercado em que a empresa está inserida. Empresas jovens ou com poucos dados podem ter dificuldades para construir um planejamento mais longo, o que também é difícil quando se tem um mercado muito volátil.


Agora, vamos para a definição de metas, para esta construção sempre é indicado utilizar a metodologia dos OKR’s, sobre a qual você pode aprender no nosso conteúdo sobre o tema.


Para estabelecer as metas da empresa, vamos utilizar um conceito disseminado no Brasil por Vicente Falconi: o Gerenciamento por Diretrizes (GPD). Este aponta que as metas da empresa devem ser desdobradas partindo do plano estratégico, as grandes metas da empresa; passando pelo plano tático, as metas dos departamentos e diretorias; e chegando no plano operacional.


Isto quer dizer que as metas estão todas interligadas, até mesmo no seu formato de cálculo, de forma que o atingimento das metas maiores passa pelo sucesso nos objetivos menores.


Entendido tal conceito, precisamos definir quais são as áreas da nossa empresa que representam o plano tático. Em muitos casos, as empresas utilizam sua divisão de departamentos para tal apontamento. No entanto, uma metodologia que pode ser utilizada e auxilia nesta construção, podendo até expor problemas no organograma da empresa, é o Balanced Scorecard (BSC).


Este framework divide a empresa em quatro áreas interligadas:

Clientes: trata da entrega de valor que a empresa está trazendo aos seus consumidores;

Processos Internos: processos que estejam alinhados com as necessidades dos clientes e satisfaçam os stakeholders da empresa;

Aprendizado e Crescimento: capacitação necessária para a empresa atingir seus objetivos;

Financeira: necessidades da empresa para se manter saudável e atingir seus objetivos.


O BSC auxilia na visão estratégica da empresa para construir os objetivos, mas como de fato defini-los e, também, os resultados chave para atingi-los? Aqui entramos na etapa de estudo e análise de dados, tanto externos quanto internos.


Quanto maior a quantidade de dados que a empresa tiver em relação ao seu histórico de desempenho, mais embasada e alinhada com a realidade da empresa será a construção dos OKR’s. Entendidas quais são as principais métricas que a empresa deve atingir em seu plano estratégico (de acordo com os planos do GPD), os dados internos auxiliarão a não traçar objetivos e metas que não estejam de acordo com a capacidade da empresa, seja acima ou abaixo desta.



(Foto: Pexel | Reprodução)


Já os dados externos auxiliam a compreender quais possibilidades o mercado oferece hoje para o seu negócio. A coleta destes dados pode ser feita por meio de benchmarking, pesquisa em estudos e reportagens, contato com sindicatos e associações, dentre outras diversas formas. Para delimitar o que sua empresa deve buscar em tal análise, você pode usar a análise PESTAL:

  • Política: o que o governo oferece de incentivos e tributos ao meu setor?

  • Econômica: qual o panorama de crescimento, de inflação?

  • Social: meu público-alvo tem perspectivas de crescimento?

  • Tecnológica: quais inovações e tendências do meu mercado?

  • Ambiental: quem são meus concorrentes e quais resultados tem atingido?

  • Legal: como as leis locais afetam meu setor?


Para sintetizar o levantamento de dados internos e externos, é indicado usar um dos frameworks mais conhecidos no meio empresarial, a Matriz SWOT. Nesta você deve, a partir das informações coletadas, classificar quais são as forças e fraquezas da sua empresa, pela análise interna, e as oportunidades e ameaças que o mercado oferece, do lado externo. A análise SWOT pode ser feita tanto para a empresa como um todo quanto para as áreas delimitadas da sua empresa, o que irá facilitar ainda mais a definição dos OKR’s.


Você também pode utilizar a análise TOWS, que cruza os dados da SWOT e permite com que você compreenda melhor quais caminhos sua empresa deve seguir:




Com isso, você já tem todos os insumos necessários para definir seus OKR’s e, também, seus KPI’s, que são as métricas de desempenho, geralmente mais associadas ao plano operacional, que irão facilitar o acompanhamento da execução planejada. Um planejamento estratégico pode ter sido construído seguindo todos esses passos com perfeição, mas ainda é preciso botá-lo em prática.


Por isso, algumas ações importantes para garantir a execução do planejado são:

  • Reuniões trimestrais para acompanhamento dos resultados nos planos estratégico e tático;

  • Reuniões semanais para acompanhamento dos resultados no plano operacional;

  • Participação e espaço para fala de todos os colaboradores nas reuniões de acompanhamento;

  • Estímulo da passagem de feedbacks entre a equipe;

  • Elaboração de ações para gratificação e confraternização dos colaboradores, visando manter bom nível de engajamento e motivação.

Não esqueça que, por melhor que tenha sido a construção do planejamento, ele pode sofrer alterações do longo do caminho, visto que o mercado é incerto e não sabemos quais condições o futuro nos reserva. Um fenômeno como a pandemia do Covid-19 altera o planejamento estratégico de qualquer empresa.


Agora você tem todos os insumos necessários para botar em prática o planejamento estratégico na sua empresa. Se quiser auxílio para isso, a ALMA Negócios pode te ajudar!

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